sábado, 6 de novembro de 2010

Medo!

Existem coisas por aí, existem por algum motivo, e aparecem porque precisavam aparecer. Pessoas. Aquelas que vem e vão, aquelas que fazem valer a arte do desencontro. Eu queria que todas elas ficassem.
Quem me conhece sabe, eu não sou propenso ao esquecimento. Por isso escrevo, desenho, ilustro, por isso estou aqui, registrando momentos da minha mente, são passageiros, as vezes fixos, mas nunca poderão ser esquecidos.
Eu respiro fundo todos os dias e procuro os motivos para fazer tudo valer a pena. Eu caio em queda livre no cotidiano e tento neutralizar os dilemas. São muitos, eu não dou conta de resolvê-los. Se existe alguém irreal, esse alguém sou eu.
Esquisitamente anormal. Sim, eu sou. Eu tenho medo de muitas coisas que compõem esse mundo tão mentiroso. Me sinto frágil demais para encarar a verdade, ali, nua e crua e tão severa. Eu deveria ter ficado submerso dentro da barriga da minha mãe.
Eu tenho medo do escuro, do silêncio e do abandono. Todos esses elementos batem em minha porta com frequência, não pedem licença, apenas invadem a minha alma. Atormentam a minha mente e me faz ser essa pessoa tão decepcionada, intensa em demasia e de temperamento melancólico.
Diante do medo de uma nova grande decepção, eu rezo fervorosamente para que nenhuma ilusão bata em minha porta. Eu já preguei uma placa em meu jardim: "Se for pra bagunçar, vai-te embora, eu não te quero aqui". A placa é de madeira e tem o formato de um coração.
Sugestivamente eu expulso males do meu calejado órgão vital. Não apareça, não minta, não invente, não finja...vá embora. Me deixe sozinho. Porque quando estou só, eu sei que estou seguro, ferido, triste, porém a salvo. Eu tenho medo das pessoas, eu tenho medo de não conseguir superar o seu desprezo, de não conseguir me livrar da obsessão e de estar fadado a lamentar como a vítima, como o mocinho da história.
Eu clamo pela superação, pela evolução de espírito, pelo sucesso e pelas distrações. Eu imploro pela cura, pela força, eu insisto em continuar de cabeça erguida mesmo parecendo tão destruído. Porque muito embora a minha alma seja fragmentada, eu preciso manter o meu corpo físico íntegro e saudável. Eu sei que a verdade não é essa, porque o de dentro reflete lá fora. E reflete aqui, muito claramente e gritante.
Eu tenho MEDO de não conseguir...

Um comentário:

Sr. Lunático disse...

Eu acho que já fui assim, mas um bom psicológo me ajudou. Brincadeira... não, não falando sério. As vezes é bom ter medo, as vezes não.